30° retiro - Kabbalah e Turismo - parte 1
- 16 de abr.
- 5 min de leitura
Atualizado: há 7 dias

“Toda viagem começa antes do primeiro passo.
Chegar em um novo lugar é permitir que a alma se desloque também.
Assim como Avraham ouviu o chamado ‘Lech Lechá’, nesta viagem, que chamamos de Jornada cada um de nós cruzou um limiar invisível: deixamos o conhecido para encontrar algo essencial.”

Mais do que uma viagem, esta é uma experiência de alma.
Durante oito dias entre as montanhas, vinhedos e desertos de Salta e Jujuy, unimos turismo, sabedoria e espiritualidade em um percurso de autoconhecimento e conexão com a Luz.
Adriana (Kabbalah) e Mario (nosso querido Guia) retiraram os véus e mostraram um mundo além de paisagens deslumbrantes!

A Kabbalah nos ensina que cada lugar tem uma energia única, um portal de consciência capaz de revelar aspectos ocultos da alma. Nesta jornada, cada paisagem — das Salinas Grandes às vinhas de Cafayate, das montanhas coloridas de Purmamarca ao silêncio do deserto e montanhas áridas — tudo isto foi um espelho do nosso mundo interior.
Durante os deslocamentos e passeios, mergulhamos em reflexões sobre a Energia da Semana (Parashá), a Energia Astral, meditações sobre os elementos da natureza, conversas sobre o vinho e o sal na tradição cabalística, e práticas de expansão da consciência inspiradas no Zohar, nos ensinamentos do Grandes Cabalístas.
Um encontro entre Pachamama e a Shechiná – que surpreendente!!
Fomos convidados ao silêncio, as memórias, perguntas e descobertas.
Na Kabbalah, viajar não é apenas deslocar o corpo. É permitir que a consciência se mova.
É sair do lugar conhecido — como Avraham em Lech Lechá —
para encontrar algo essencial que só se revela no caminho.
Salta – Memória e Tradição
O centro histórico de Salta nos conecta à memória, à tradição. Uma cidade plana, quadrada, cheia de vida, simplicidade, segurança e acolhimento.
Salta, “La Linda”
Salta brilha no mapa do norte argentino como um lugar emoldurado por montanhas onipresentes e céus sempre abertos. O apelido não é à toa: cada esquina revela um contraste entre o verde dos vales e o vermelho das serras, compondo um cenário de rara intensidade.
Parasha Shemini:
A Parashá Shemini revela um dos ensinamentos mais delicados da Kabbalah: a relação entre Luz, corpo e consciência. No oitavo dia da inauguração do Mishkan, a Presença Divina desce ao mundo — mas junto com essa revelação vem um alerta profundo: nem todo vaso está preparado para sustentar a Luz que invoca.
O Zohar explica que a morte de Nadav e Avihu não foi punição, mas consequência de um excesso de fogo espiritual sem contenção. Eles buscaram a elevação, mas sem o alinhamento necessário. Logo após esse episódio, a Torá introduz as leis de pureza alimentar, como se dissesse: o caminho espiritual passa pelo corpo.
Segundo Isaac Luria, tudo o que ingerimos carrega centelhas espirituais. Comer é um ato de refinamento — ou de densificação. Alimentos mais sutis favorecem a elevação da consciência; outros podem tornar o sistema mais opaco, dificultando a percepção da Luz.
Rav Rav Berg reforça que não é apenas o que se come, mas como se come. A ausência de consciência transforma o alimento em reforço do desejo reativo. Já a presença transforma o ato em canal de Luz.
Shemini nos ensina que pureza não é moralismo, mas discernimento energético. O corpo é um Mishkan vivo, um recipiente onde a espiritualidade se manifesta. Quando ele está alinhado, a Luz flui; quando está sobrecarregado, a percepção se obscurece.
Mais do que regras, Shemini nos oferece uma pergunta essencial:o que estamos colocando dentro de nós sustenta ou bloqueia nossa consciência?
O verdadeiro caminho espiritual não está em negar o mundo, mas em aprender a habitar o corpo com clareza, presença e intenção.
A parashá nos ensinou sobre suportar a Luz que estamos invocando, experimentando diferentes desafios em nossas vidas, quando sentimos que estamos sendo testados, o que na verdade é a vasilha que está passando pelo convite da transformação. E assim, ao aceitarmos esta transformação, passamos do êxtase para a maturidade, onde precisamos aprender a sustentar a Luz.
Nas montanhas áridas sentimos esta maturidade, que só aparece quando aprendemos sobre Tzimtzum emocional. É aqui que aprendemos que o que entra na alma, molda o corpo.
Shemini ensina:
Nem toda Luz é para agora.Nem todo desejo é para este nível.Nem todo fogo constrói.
O oitavo dia não é subir – É Permancecer
Salinas Grandes: O terceiro maior salar do mundo, oferecendo paisagens brancas impressionantes.
As Salinas Grandes, em Jujuy, Argentina, estão situadas a uma altitude média entre 3.350 e 3.450 metros acima do nível do mar. Este vasto deserto de sal localiza-se na região da Puna, a cerca de 66 km de Purmamarca, oferecendo uma paisagem branca intensa devido à evaporação de antigos lagos.
Superfície: 525 km²
Diante da imensidão branca das Salinas, tudo se aquieta.
O sal, na Kabbalah, é símbolo da aliança eterna (Brit Melach):
ele preserva, purifica e delimita.
O sal não floresce, mas sustenta. Assim também existem forças em nós que não aparecem, mas mantêm a alma íntegra.
📖 Levítico 2:13
“Não deixarás faltar o sal da aliança do teu Deus…”
📖 Números 18:19
“Aliança perpétua de sal diante do Senhor.”
📖 2 Crônicas 13:5
“Uma aliança de sal para sempre.”
O sal é pacto eterno. Preservação da consciência.
📖 Mateus 5:13
“Vós sois o sal da terra…”
📖 Marcos 9:50
“Tende sal em vós mesmos e vivei em paz.”

O Zohar aprofunda esse simbolismo ao associar o sal à Guevurá — o rigor, o limite, o poder de contração. O sal queima, desidrata, dói quando toca uma ferida. E justamente por isso, cura e preserva. O Zohar ensina que não há revelação verdadeira sem a presença do julgamento refinado:a misericórdia sem limite dissolve;o rigor sem doçura destrói;o sal é o equilíbrio exato.


Por isso, no altar do Templo, todo sacrifício precisava de sal. A oferenda sem sal era uma Luz sem estrutura — intensa demais para permanecer no mundo.
“Nem vos faltará o sal da aliança de vosso Deus de vossa oferenda.” Porque é o sal tão importante? Isso é porque ele purifica e perfuma o amargo, e o torna saboroso. Sal são Dinim [juízos] na Masach [tela] de Hirik, sobre a qual a linha média emerge, que une a direita com a esquerda. Ele purifica, perfuma e adoça os Dinim da esquerda, que são amargos, com as Chasadim [misericórdias] na linha direita. Não houvesse sal, a linha média não teria sido estendida e o mundo não seria capaz de tolerar a amargura.
Zohar para Todos, VaYechi [Jacob Viveu], Item 666

Comentário e Avaliação da Viagem:
O 30° Retiro de Kabbalah e Turismo, no norte da Argentina foi muito especial para mim, desde o início. A divulgação já me tocou com as propostas de conhecer lugares que não conhecia, o atendimento da agência Viaje Bem foi sempre muito atencioso, e tudo foi acontecendo com cuidado.
Os passeios, as acomodações, os almoços harmonizados nas vinícolas foram divinos.
A van, o motorista, o guia ...tudo bem organizado.
O conteúdo espiritual - Kabbalah - me tocou de um jeito muito bonito. As orações, as meditações e reflexões foram acontecendo no tempo certo, como se tudo fosse se encaixando naturalmente dentro de mim.
Foi uma surpresa perceber. que, pra mim agora, viajar precisa ter também esse lado espiritual.
Foi uma experiência que realmente marcou a minha vida.
Sou grata a Adriana por proporcionar essa viagem excelente. (Lussana Soares)
























































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