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Tarô e Kabbalah

O Tarô realmente é a Cabala em imagens. A riquíssima correspondência entre os Arcanos Maiores do Tarô e os caminhos subjetivos da Árvore da Vida, ou Árvore Sefirótica, podem se completar com as cartas numeradas do próprio Tarô, os Arcanos Menores, com suas dez sefirots; e inclusive nas suas dezesseis tríades encontraremos igualmente correspondências com outras tantas figuras da corte, valetes, cavaleiros, rainhas e reis dos quatro naipes. A relação com os Arcanos Maiores trata de figuras encaminhadas à meditação e ao autoconhecimento de si mesmo, nos níveis interiores do Ser.


Estes arquétipos, estas forças da natureza estão latentes em qualquer ser humano, no que chamamos o `eu´. Seus aspectos mais elevados podem estar adormecidos durante séculos e eras, inclusive podem ser usados de forma negativa por ignorância. Na realidade o ser que não está consciente de si mesmo, utiliza sua luz e sua escuridão, indiferentemente. Na maior parte das vezes desconhecemos o potencial da nossa divindade interior, e a mesma está embaçada pelo desejo, pelo medo, e pela ansiedade, fazendo com que vivamos num estado de confusão quase contínua. E assim, na medida em que tenhamos em nós desejos e medos (a contraparte escura) teremos a referência de que ainda existe um ego, um personagem falso que pretende ocupar o único lugar legítimo que corresponde, pela sua própria essência, ao Espirito.


O `EU´ tem sido a ideia que temos de nós mesmos, a crença numa personalidade à qual nos apegamos e que foi produzida pelos resultados das experiências da vida; a educação que recebemos e o entorno cultural no qual nos crescemos. É ele que conduz nossa vida enquanto não formos autoconscientes. Dessa forma nos apegamos às experiências que foram agradáveis para nós, e tomamos aversão àquelas que nos parecem obstáculos para conseguir alcançar um objetivo. Quando concentramos no corpo a energia de uma experiência considerada negativa, surge a doença. Alcançamos a liberdade e o bem-estar quando libertamos esse “eu”; suas necessidades e seus hábitos ocultos. Junto a outras filosofias orientais, como o Taoísmo e o Zen, a Cabala também confirma isto. De fato, a palavra hebraica para “EU” = Aní, permite uma aliteração ou permutação chamada na Cabala de Temurah, que a transforma em Aín= Nada, o que portanto, permite que tal libertação consista exatamente em descobrir essa inexistência, pois, na verdade, como aprisionar o que não existe?


Em geral estamos dormindo e temos que despertar deste sonho. Para alcançar este objetivo existe sempre um primeiro passo, um passo imprescindível: precisamos começar a perceber que estamos dormindo. Enquanto seguirmos acreditando que o que ocorre no sono é real, seguiremos presos nele. Um professor contemporâneo, o francês Arnaud Desjardin, compara este trabalho com o esforço que um motorista faz, quando tem que se manter acordado enquanto dirige. O sono atrai ele, mas ele se esforça varias vezes em manter seu estado de alerta para não adormecer. Portanto é um esforço pessoal que ninguém pode fazer por nós.

Exatamente por isso, é necessário fazer uma advertência: o método, seja ele qual for, é o resultado da experiência de alguém que percorreu o Caminho da sua maneira. O método não é um substituto dos passos que o viajante percorre, um a um. As experiências do viajante são exclusivamente suas, e podem ser parecidas com a de outro alguém, mas nunca serão as mesmas. O Caminho é única e exclusivamente de cada um, e cada um tem que percorrê-lo sozinho.


Patricia Bissi



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