A Palavra como símbolo


Buscar entender o significado da UNIDADE NA MULTIPLICIDADE, é descobrir sobre a liberdade da mente, sobre a liberdade inconsciente em que vivemos, dando campo para vivermos diferentes realidades, amores, paixões, conquistas, mortes, invejas, roubos, guerras, traições, diferentes atitudes e realidades internas e externas, diferentes faces e insatisfações. Diferentes desejos. É através de olhar interno nos acontecimentos, nas diferentes dimensões visíveis e invisíveis que sentimos nossos impulsos e descobrimos nosso verdadeiro mito.

Transformar a vida em palavras, é transformá-la em códigos, para que possa ser percebida e vivenciada diretamente. A palavra é um estado de revelação, para a Tradição Judaica, e principalmente para os Cabalistas, o poder da língua e seu caráter Divino não estão separados, o mundo existe pela palavra e pelas palavras da Torá. Elas não só são um organismo vivo, como também possuem uma interioridade, e tudo que foi e é criado depende da sua combinação.Vista como a manifestação da sabedoria Divina, mas como o mundo criado, ela tem de ser expressa através de formas limitadas. EDINGER[1] traduz essa relação da palavra do texto Sagrado como um diálogo entre D'us e o homem: “Ele se apresenta a nós como compêndio extraordinariamente rico de imagens que representam encontros com o “numinosum” (numinoso). Estes são mais bem compreendidos psicologicamente como representações do encontro entre o ego e o si-mesmo, que é o aspecto mais importante da individuação.

Olhar para nossa poesia, nossos símbolos é perceber uma nova consciência, é nos colocar em algum padrão que estamos vivendo. É entrar em contato com a possibilidade do vir a ser,pois toda a arte nos possibilita flexibilidade, uma nova criação, nunca atingindo a plenitude final. É estar em contato com um constante revelar-se, criar-se, o que permite a cada um o acesso maior a tudo que esta fora de si, através de um mergulho para dentro de si.

Interpretar nossos sinais, símbolos requer imaginação, criatividade. Imaginação e intuição são auxiliares indispensáveis ao entendimento, é como permitir-se mergulhar na própria loucura.

A descoberta de nossos códigos, formados na dimensão de Biná, representam a descoberta de nossos propósitos, nossa história e significado. Podemos perceber que existe uma luz original e desta surgem expressões, emanações, que são os códigos, séries de forças inteligentes. Aminoácidos cósmicos, que quando combinados podem dar origem a todas as criaturas.

A palavra nos liga aos mistérios de nosso interior, nos liga a D'us, que através do Shabat, sétimo dia, podemos elevar todos os nomes e receber sua luz, uma consciência diferente. Mas é através do oitavo dia, que ficamos face a face com o outro, que ganhamos a intimidade, a entrega, que abrimos o coração, e deixamos sair a poesia e a arte. É descobrir a poesia de D'us, que nada mais é do que a junção de letras que formam rimas e melodias. É tornar o pensamento de D'us acessível, rompendo com as prisões, libertando-se dos dogmas mentais, emocionais e espirituais, possibilitando o jogo de palavras e impressões. É compreender a vida sob novos ângulos e possibilidades.

Podemos viver à mercê de uma única visão, de um único símbolo, de um arquétipo, que acaba por ser uma klipot, que protege nosso ser frágil vestido de medos de assumir a verdadeira identidade.

NÍVEIS DE SIGNIFICADO

Na história do povo judeu a busca da verdade, da compreensão da vida e dos valores religiosos, utilizando-se da Torá, desenvolveu ao seu redor uma atividade contínua de estudo, investigações e interpretações críticas, através da lei O

ral. Dessas investigações do texto resultaram numerosos comentários escritos destinados a precisar melhor e mais profundamente o significado dos sagrados textos hebraicos. Este caráter aparentemente não dogmático e aberto buscava diferentes formas de entender a palavra e trazer uma síntese religiosa.

Conforme um Sábio do Judaísmo, Abraham Abulafia, a Torá nos possibilita diferentes formas de leitura, concentração e meditação e como conseqüência diferentes interpretações, considera, baseado na Cabala, que assim como o universo é constituído de quatro mundos, o nome de D'us (Tetragrama, IHVH) se constitui de quatro letras, existem quatro formas de trabalharmos e absorvermos a Torá. Entendendo-se isto, através do:

  • : referente ao significado literal, a forma como a Torá é apresentada para o povo em geral, sem distinguir seu grau de instrução ou conhecimento. Considera-se que a Torá é de todos, mas cada pessoa absorve um tipo de entendimento. A forma literal é a mais dogmática e tradicional, o que facilita a transmissão de pessoa para pessoa através da repetição. É a especulação abstrata e lógica racional. Peshat representa as palavras e imagens sem significação. Em hebraico Peshat significa sentido literal, esclarecimento da Bíblia de forma simples, também está ligado às palavras tirar, retirar, despir, sair, investir. Liga-se à palavra Pashtut, que significa simplicidade. Esta forma de leitura relaciona-se com as linhas mais ortodoxas, que não permitem as modificações.

  1. Remez: Representa a leitura que nos leva ao sentido alusivo, à insinuação, àquilo que indica, sugere, acena, também conhecido como significado alegórico. É uma primeira permissão a busca de outros significados, mas sem profundidade. Segundo Fucks, é quando o texto sugere um outro sentido e este nível de interpretação é uma proposta que não cobre a verdade do texto. Neste ponto podemos trazer muitas interpretações, apoiando em histórias e lendas.

  1. Derash: são os insights que são traduzidos para a vida, quando o texto é visto de forma mais profunda. É considerado a leitura inteligente do texto, pois permite perguntar sobre o texto e buscar e rebuscar o sentido, interpretando cada palavra e parábola. É aqui que muitos indivíduos se distinguem daquilo que é mais vulgar, e conseguem ir além.

  1. Sod: Significa mistério, representa os significados secretos e místicos, ligados ao mundo espiritual. É a interpretação mais profunda e simbólica, que na maioria das vezes não possui uma compreensão racional. Conhecido como o conhecimento cabalístico. É uma análise mais profunda do texto a partir das letras, palavras, frases e espaços em branco, a combinação das letras e signos. É neste universo que iniciam os exercícios mais contemplativos, as meditações, estudos dos Nomes de D'us e expressões Divinas, as Sefirot.

Ao agruparmos as quatro primeiras letras de cada uma destas palavras (PRDS), teremos a palavra PARDES, que significa em hebraico jardim/paraíso, mostrando que a busca da espiritualidade, é atravessar esses diferentes níveis de compreensão do Livro da Lei. Este é o caminho da revelação que os Sábios nos falam. Esta é a base de que a Escritura da Torá é o paraíso em si mesmo, a revelação da essência Divina.

[1] EDINGER, E. F. Bíblia e Psicologia: Simbolismo da Individuação no Antigo Testamento, pg 32.


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